É indicada quando existe uma alteração mamária que precisa de análise histológica e pode ser visualizada adequadamente pelo ultrassom. Na maioria das lesões sólidas, o método mais utilizado é a core biopsy (biópsia por agulha grossa ou biópsia de fragmento) — um procedimento em que uma agulha oca retira pequenos fragmentos cilíndricos de tecido, preservando parte da arquitetura da lesão para análise.
> Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação do médico assistente.
Diferente da PAAF, a core biopsy permite uma análise mais completa do tecido coletado.
A biópsia pode ser indicada quando uma alteração identificada no exame precisa ser analisada em laboratório. A classificação BI-RADS ajuda o médico a definir se o achado deve ser acompanhado ou investigado com coleta de tecido:
| Classificação BI-RADS | Significado geral | Conduta mais comum |
|---|---|---|
| BI-RADS 1 | Exame negativo | Rastreamento de rotina |
| BI-RADS 2 | Achado benigno | Rastreamento de rotina |
| BI-RADS 3 | Provavelmente benigno | Acompanhamento por imagem |
| BI-RADS 4 | Achado suspeito | Geralmente recomenda-se biópsia |
| BI-RADS 5 | Altamente sugestivo | Biópsia indicada |
BI-RADS 3 não significa indicação automática de biópsia — em geral, recomenda-se acompanhamento em intervalo curto, e a biópsia pode ser considerada quando há crescimento, discordância clínica ou outros fatores relevantes, sempre em decisão compartilhada entre médico e paciente.
Indicações mais frequentes incluem: nódulo sólido suspeito; alteração palpável com correspondência ultrassonográfica; lesão classificada como BI-RADS 4 ou 5; lesão que cresceu ou mudou durante acompanhamento; discordância entre exame físico e imagem; linfonodo axilar suspeito; necessidade de nova amostra após resultado inconclusivo.
A indicação final é sempre do médico solicitante, considerando o quadro clínico completo.
Etapas comuns do procedimento: identificação da lesão com o ultrassom, higienização da pele, aplicação de anestesia local, pequena incisão na pele, introdução da agulha sob visualização ultrassonográfica, retirada de fragmentos, compressão do local e curativo. Em alguns casos, pode ser colocado um pequeno marcador metálico no local biopsiado.
A biópsia guiada por ultrassom não utiliza radiação ionizante, é feita com a paciente acordada (geralmente com anestesia local), costuma ser ambulatorial, e produz uma cicatriz mínima ou imperceptível. O procedimento costuma durar entre 20 e 40 minutos, podendo variar conforme a localização e a complexidade.
A gestação, por si só, não é contraindicação para a biópsia mamária guiada por ultrassom — como o método não utiliza radiação ionizante e geralmente emprega anestesia local, pode ser realizada quando clinicamente indicada, com decisão individualizada. Durante a lactação também pode ser realizada, mas a equipe deve ser informada, já que pode haver risco levemente aumentado de sangramento ou, mais raramente, formação de fístula láctea.
Não existe uma regra fixa de suspensão para todos — o risco de sangramento precisa ser equilibrado com o risco de interromper o tratamento. Informe previamente à equipe todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes e antiagregantes (AAS, Clopidogrel, Varfarina, Apixabana, Rivaroxabana, Dabigatrana, heparinas, anti-inflamatórios ou suplementos que alterem a coagulação). A suspensão só deve ser feita com orientação do médico responsável.
É comum ocorrer dor leve, sensibilidade, pequeno sangramento, hematoma ou inchaço localizado. Orientações frequentes: manter o curativo pelo período indicado, fazer compressa fria protegida por tecido, usar sutiã com boa sustentação (se confortável), evitar peso e esforço com o braço do lado biopsiado por cerca de 24 horas, evitar piscina/banheira até o local fechar bem, e usar apenas os analgésicos autorizados pela equipe.
A maioria das pessoas retoma atividades leves no mesmo dia ou no dia seguinte. Como geralmente é usada apenas anestesia local, muitas pacientes conseguem dirigir — ainda assim, alguns serviços recomendam acompanhante por conforto ou precaução.
Procure a equipe se houver: sangramento que não melhora com compressão, aumento rápido do volume da mama, dor intensa ou progressiva, vermelhidão extensa, calor local, secreção, febre, tontura, mal-estar ou desmaio.
O resultado anatomopatológico precisa ser comparado com a aparência da lesão nos exames (correlação radiológico-patológica). Um resultado benigno que não explica adequadamente o achado de imagem pode exigir nova coleta ou avaliação adicional.
Revisão médica: Dr. Ney Reale — CRM-PA 7074 | RQE 2729, Diretor Técnico-Médico da UnaClin.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individual.
Para saber mais sobre diretrizes técnicas de biópsia mamária, consulte o site da RadiologyInfo.org (ACR/RSNA).
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Diretor Técnico-Médico: Dr. Ney Reale — CRM-PA 7074 | RQE 2729